Olá para todos!
É inacreditável como estou ocupado. Estou fazendo análise e decupagem de algumas histórias em quadrinhos. Como a leitura se torma mais dura quando vc tem que reparar em cada quadro, em cada frase e em cada detalhe. Ao longo de minha trajetória acadêmica, muita gente brincou comigo, dizendo que meu trabalho era "ler gibi". Mas nestes tempos de reclusão e trabalho, este tipo de brincadeira se torna potêncialmente perigosa.
Perdido no meio de tanto trabalho, mal tive tempo de escrever alguma coisa. Por isso, publicarei um texto antigo, mas que ainda não perdeu de todo sua relevância, ainda que dialogando pouco com minha fase atual de produção. Muito mais do que desconstruções, estou buscando atualmente, realizações. Em minha crônica baixo, falo de viver em fronteiras. Hoje, estou bem mais decidido a transpor fronteiras.
Desta forma, este texto não é um clássico, pois estes possuem, por mais que isso cause uma certa ojeriza a minha formação de historiador - que procura, normalmente a especificidade, no lugar da semelhança - , um caratér universal. Este texto é muito mais uma impressão, uma foto de um estado de ser, escrita em um momento de dúvida, ao som de Scorpions.
Um abraço a todos
Pequena tratado sobre como a ciência deve evitar tratados
Em meio a argumentos incompletos estou afogado. Sonhos que se despedaçam em uma geometria quântica de previsibilidade caótica. Nesta distorção de imagens uma dimensão tão frágil e intuitiva como a de espaço-tempo se desfaz com facilidade. Horas como segundos, semanas como horas e quilômetros como pensamentos.
Amarras científicas que não me deixam navegar. Onde está o sabor de ir ao impulso da maré, aquela que só é possível se conhecer através da vivência da sensibilidade, e não pelos designos de fórmulas consagradas? Qual a utilidade de um compasso para medir um universo descompassado. Como a balança nas mãos de uma cega, a espada cinde sobre o pensamento abrindo caminhos. De um lado, ideal-tipos canônicos, seguros e reconhecidos. De outro um terreno pantanoso, perdido entre "a força" e os socos desferidos por alguém com "olhos de tigre", naquele dia em que a terra parou, após 29 dias na prisão, que só pode ser reconhecido através de um tipo especial de percepção e método.
Seria o preço de ter escolhido um caminho de fronteira ser um eterno outsider, cuja noção de pertencimento não cabe nos mapas de nenhum dos mundos ao qual ele é fronteiriço? Talvez. Contudo, mas uma vez talvez, seja mais provável que a resposta não seja encontrada e meu destino não seja predizível por qualquer oráculo de Apolo. Estranha ironia, um rurouni desejando os braços da dama segurança. Mas não são estas mesmas ironias que marcaram até agora as escolhas por este caminho?

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