Cena I, início de madrugada de sábado. Fui dormir bem mais cedo do que de costume. As vezes a enxaqueca é um ótimo sonífero. O início do sono vem fácil, porém logo ele é perturbado por sonhos com imagens rápidas e inconstantes. Sou despertado pela sede. Caminho até a cozinha e enquanto bebo água, sinto a dor de cabeça voltar, vindo por de trás dos olhos e da nuca. Olho a hora e começo a fazer cálculos de quanto tempo já dormi e o quanto ainda falta para dormir 8 horas.
De volta a cama, teto retomar o sono. As imagens se tornam cada vez mais rápidas e o sono por fim vai embora. Lembro de que estamos na páscoa, que não conclui ainda um capítulo de minha dissertação, que parei de jogar Sonic 3 por não conseguir concluir uma fase e de uma conversa que tive com minha namorada. Ligo a TV, que acaba de conectar todas estas imagens. O sono se foi por completo. Completo a fusão de imagens ligando o computador e iniciando o Word. Essa história deixa de estar no passado e se torna em tempo real. A música prenuncia algo terrível. Olho para trás. Jesus está sendo crucificado na TV. Não sou cristão, mas a narrativa dos evangelhos é sem dúvida trágica. Não sou cristão, mas vivo em uma cultura cristã. Lembro como é possível ser cristão sendo ateu. Ele é uma mensagem de humildade e piedade, para além de uma forma de espiritualidade. As imagens continuam a trazer a tônica cristã de dor, sacrifício e redenção. Uma formula poderosa tanto na teologia quanto na literatura. A tragédia me lembra da dor de cabeça. O texto volta ao seu início.
Atualizando:
1- Havia um erro no texto. A frase original era que, é possível ser cristão sendo ateu, e não o contrário. Por isso modifiquei o conteúdo do post. Caso isso gere algum problema sobre o comentário anterior de algém sintam-se a vontade de vir aqui e fazer outro, está bem? Um abraço a todos os leitores e amigos.
2- Por curiosidade, verifiquei a etimologia de Evangelho. Além do tradicional "Boa Nova", descobri coisas interessantes no Houaiss. Vejam: lat.ecl. evangelìum,ìi 'id.', do gr. euaggélion,ou 'boa notícia', gr. cristão 'evangelho', de eu- 'boa' + ággelos,ou 'mensageiro; mensageiro de Deus, anjo'; ver eu- e angel(i/o)-; f.hist. sXIII auangello, sXIII auangeo, sXIV evangelho
Olá amigos,
Pensando sobre os Estados Unidos e a construção o mito da fronteira na cultura política daquele país. decidi publicar uma música do The Doors que está na minha cabeça. Ela está presente no filme Apocalypse Now (EUA/1979), de Fancis Ford Coppola. Se alguém for pegar esta obra prima do cinema para assistir (que eu recomendo - porém esteja preparado para o mal-estar que ela provoca), ela é a música da primeira seqüência do filme, onde aparecem helicópteros em vôos horizontais na tela, em frente a uma floresta em chamas. Uma das seqüências mais emblemáticas sobre a temática da Guerra já produzidas no cinema. Uma guerra que não salva, não redime, nem produz heróis. Ela apenas destrói. A música, tanto por sua concepção rítmica (que faz referência a imagem dos duelos e da luta contra a wilderness, nos filmes de far-west) quanto pela vigorosa, e necessariamente incisiva, poética de sua letra. Sinto muito colocar a letra só em inglês, mas sinceramente, não saberia como traduzir a multiplicidade de sentidos de algumas de suas palavras. Sei que isso restringe um pouco a leitura, por isso, desde já, peço desculpas aos que não lêem inglês.

The End (The Doors)
This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I’ll never look into your eyes... again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need... of some... stranger's hand
In a... desperate land
Lost in a Roman... wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway,
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby
Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake's long, seven miles
Ride the snake... he's old, and his skin is cold
The west is the best
The west is the best
Get here, we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where're you taken' us
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end
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